LGPD, Inteligência Artificial e seu Negócio: o que Você Precisa Saber
- Bonardo e Berlini

- 12 de dez. de 2025
- 3 min de leitura

A LGPD continua valendo, mesmo com o surgimento de novas tecnologias
A LGPD estabelece princípios e regras obrigatórias para o tratamento de dados pessoais no Brasil. Isso significa que qualquer ferramenta que lide com dados de pessoas físicas, inclusive sistemas baseados em IA, deve obedecer:
finalidade clara
transparência
segurança
minimização de dados
responsabilidade e prestação de contas
A Autoridade Nacional de Proteção de Dados (ANPD) já deixou claro em orientações oficiais que o uso de IA não exclui nem flexibiliza a aplicação da LGPD.
Ou seja: Nova tecnologia não significa uma nova lei. A LGPD continua sendo a base.
Como a IA trata dados, e por que isso impacta seu negócio?
Muitas empresas ainda não percebem que estão compartilhando dados pessoais com IA sem perceber.
Exemplos comuns:
✔ Chatbots e atendimentos automáticos
Alguns sistemas armazenam conversas e informações de contato.
✔ Geração automática de documentos
Ferramentas de IA podem registrar dados sensíveis inseridos em prompts: nome, CPF, endereço, dados de saúde.
✔ Softwares de análise de risco e crédito
Algoritmos decidem se um cliente deve ser aprovado — e precisam fornecer transparência.
✔ Criação de conteúdo personalizado
Se basear o conteúdo em dados reais de clientes, isso é tratamento de dados.
Em todos esses casos, a empresa continua responsável pelo que é feito com os dados, mesmo que utilize plataformas terceirizadas.
Riscos jurídicos do uso de IA sem adequação à LGPD
A ANPD já iniciou fiscalizações e sanções relacionadas ao uso incorreto de dados pessoais, e empresas de todos os portes podem ser multadas.
Principais riscos:
vazamento de dados alimentados em plataformas de IA
ausência de consentimento ou de base legal válida
decisões automatizadas sem explicação ao titular
armazenamento indevido de informações sensíveis
falta de políticas internas de governança de dados
uso de ferramentas que não se enquadram nas exigências de segurança As multas podem chegar a 2% do faturamento, além de danos à imagem e perda de confiança de clientes.
O que sua empresa precisa fazer na prática
Aqui estão as medidas essenciais recomendadas pela ANPD e adotadas pelas melhores práticas internacionais:
✔ 1. Mapear quais ferramentas de IA sua empresa usa
E identificar se elas coletam, processam ou armazenam dados pessoais.
✔ 2. Escolher ferramentas com políticas claras de privacidade e segurança
Nem toda plataforma de IA é adequada para uso empresarial.
✔ 3. Atualizar políticas internas e contratos
Isso inclui:
política de privacidade
termos de uso
contrato de trabalho e confidencialidade
cláusulas com fornecedores
aditivos de proteção de dados
✔ 4. Treinar a equipe
Colaboradores precisam saber o que podem e não podem inserir em ferramentas de IA.
✔ 5. Criar regras internas de uso
Incluindo restrições sobre dados sensíveis.
✔ 6. Nomear um encarregado (DPO)
Mesmo para negócios pequenos, é uma prática recomendada.
Quando a empresa deve buscar apoio jurídico?
Sempre que houver:
dúvidas sobre bases legais
implementação de novas ferramentas tecnológicas
criação de fluxos internos de dados
risco de decisões automatizadas que impactem consumidores
dúvidas sobre como armazenar, compartilhar ou excluir dados
A LGPD exige responsabilidade e governança. E sem orientação jurídica, é muito fácil incorrer em violações involuntárias.
Conclusão
O uso de Inteligência Artificial já faz parte do cotidiano das empresas — e traz inúmeros benefícios, como agilidade, redução de custos e aumento de produtividade. No entanto, esses avanços precisam caminhar junto com o cumprimento da LGPD.
Adequar sua empresa não é apenas uma obrigação legal: é uma estratégia de proteção, credibilidade e profissionalismo.
Um acompanhamento jurídico especializado garante que sua empresa utilize IA de forma segura, ética e dentro da lei, evitando riscos e fortalecendo a confiança de clientes e parceiros.





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